O Tardo

O Tardo - Relatos II

Este é o segundo de uma série de relatos recolhidos aquando da investigação para o meu documentário, O Tardo.

O relato que se segue é do Fado Corredor ou o Corrilário e foi retirado da obra Etnografia Portuguesa, Livro III do Dr. José Leite de Vasconcellos.

“ (...) Andava o avô dele a carregar um carro de mato e viu que uma cobra andava ali por junto dele, saltando e perseguindo-o e não fugia. Depois de aborrecido com isto, deu-lhe com a enxada, acertou-lhe, mas não viu mais a cobra. Sempre ficou admirado deste facto mas esqueceu-o facilmente.
Certa ocasião precisou de comprar uns bois e dirigiu-se à feira de Guimarães com este fim. Tratou e comprou efectivamente uns bois e dirigiu-se a um sujeito que nunca viu e que por consequência não conhecia. A instâncias e mil rogos desse homem a quem comprou, que era dali, foi ficar a casa do vendedor (...) Por fim a palestra multiplicou-se e toda a família da casa olhava o comprador de maneira respeitosa: era uma prova de gratidão ainda desconhecida pelo comprador.
O chefe da casa, que era o vendedor, notando que o assunto da palestra ia perdendo calor, pediu licença para fazer uma pergunta ao comprador, e pegando na mão de um seu filho assim formulou “Que merecia aquele que cortou este dedo?” Respondeu o comprador que lhe fizessem outro tanto. “Pois, meu amigo, disse o vendedor, nesse caso teria de se sujeitar ao castigo. Todavia declaro-lhe que de hoje ao futuro ficaremos amigos verdadeiros; leve os bois que nada lhe quero por eles e tem toda esta família às suas ordens. Lembra-se daquele dia em que andava a carregar mato e deu com a enxada em uma cobra, que lhe desapareceu repentinamente? Era este meu filho que, não sabendo dele há três dias, o amigo por felicidade mo restituiu a casa””.

Pode ver o documentário O Tardo na plataforma ReelHouse.

Marcações: o tardo

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