Diário de Bordo - recibo verde

Diário de Bordo - XVIII

Há mais um ano de formação a começar e este faz-me sentir um autêntico novato. Em 11 anos que faço isto de formar pessoas nunca “a coisa” esteve como está: as empresas de formação proliferam, o perfil do formando mais comum mudou e os paradigmas também. O mais me tem surpreendido por estes dias? Passo a explicar.

O vínculo da maioria dos formadores às entidades formadoras é, na maioria dos casos, precário e com recurso ao contrato de prestação de serviços e respetivo recibo verde. Há casos em que esta situação se justifica plenamente, noutros nem tanto, mas esse tema já mereceu a minha atenção em tantos posts que já nem vou por aí.

No arranque de Setembro, quando a maioria dos horários se começa a fixar ou talvez até a transfigurar-se completamente fruto dos colegas que são colocados nas escolas públicas e no ensino dito “normal”, fui confrontado com o generalizar de um panorama que já me tinha sido colocado algumas vezes antes e que rejeitei sempre de pronto: pagamento a 90 ou 120 dias.

Cada empresa gere a sua “casa” da maneira que melhor entende, claro. Eles, mais do que ninguém, sabem como devem proceder para garantir a sustentabilidade do negócio e o que eu quero é cada vez mais centros com mais formação para que possamos continuar a ter trabalho. Mas há linhas que não devem ser cruzadas: a da decência e a da legalidade.

Antes de desenvolver o que penso disto quero dizer que pela primeira vez decidi colaborar com entidades que recorrem a este tipo de modalidade de pagamento. Num dos cursos fi-lo involuntariamente (só fui informado do modo de pagamento quando já tinha dado o “sim”), nos outros concordei porque nesta fase não haviam outras propostas na mesa e, sejamos francos, é melhor receber a 90 dias do que não ter trabalho. Além disso, a situação é legítima!

No entanto, e a maior gravidade reside aqui, os centros continuam a exigir-nos o recibo antes do pagamento ser processado. Isto não é uma boa prática e roça a ilegalidade. Parto sempre do princípio que os centros agem de boa fé. Atrasos já todos tiveram comigo. Bolas, até eu já me atrasei a pagar as minhas despesas… É a vida. Toca a todos. Se me pedem o recibo antes de me pagarem, mas o prazo é uns dias úteis, ok. Mas 4 meses? Eu passo o recibo no fim da unidade e tenho de esperar 4 meses? Então e o IVA? Vou estar a devolver ao estado IVA que não “entrou” na minha conta? E se não puder pagar o IVA ao estado? Vou lá e digo que não recebi? Então, mas o recibo está emitido?!

Assim, os formadores continuam com a sua vida pessoal estropiada pelo sistema e pela impunidade que é reinante neste sistema. As condições que nos são oferecidas para trabalhar, de uma forma geral, melhoraram. Os formandos têm cada vez mais uma atitude positiva face à formação porque percebem a sua importância e reconhecem qualidade nos formadores, mas depois, atrás da cortina, continua o desrespeito.

Marcações: trabalho, formação, recibo verde

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