formação à distância

Diário de Bordo - XX

Há mais de um mês que toda a minha atividade formativa está a ser feita de casa. Comecei a 1 de abril com apenas uma turma. Depois progressivamente, semana após semana, os diferentes Centros de Formação foram “ganhando coragem” para dar o passo inevitável perante a imprevisibilidade do que estamos a enfrentar: um vírus que até pode não ser mortal para a maioria, mas é altamente contagioso e que vai dando sinais de acalmar sem dar sinais de ir embora. Balanço? Vamos a ele.

O negativo

Vamos começar pelo pior da situação. Basicamente não saio de casa. Sento-me em frente ao computador por volta das 8. Almoço. Volto. Saio do computador às 17:30. E depois volto. Seja para mais formação (pós-laboral) ou para outros projetos. Quando largo a máquina definitivamente, os meus olhos já não distinguem a letra b da letra d.

Por outro lado… basicamente não saio de casa! O que adoro porque odeio conduzir e confesso que, sem ser bicho do mato, gosto de interagir com os meus formandos, mas tudo o que vá além deles dispenso. Por isso não tenho de andar de metro nem todas essas situações que dispenso profunda e absolutamente! Portanto, esta clausura semiforçada tem os dois lados.

Continuando nas partes menos positivas do processo: custa-me a adaptar à interação tão diferente. Não é fácil, para não dizer impossível, ler o feedback nas caras dos formandos quando a matéria é mais (ou até completamente) teórica, e ás vezes sinto que estou a falar sozinho para a webcam. Mal sinto isso, meto logo uma questão qualquer relacionada com a matéria para ver se não os aborreci até à morte.

O positivo

Pondo de lado estas situações, para já, a experiência tem sido absolutamente positiva. Pergunto-me porque é que não é isto feito mais vezes. Quando a presença em sala de formação não é absolutamente necessária, porque não apostar nestas modalidades libertando assim até salas e recursos dos centros para terem mais formações?! Fica a dica. Se me quiserem contratar para gerir o Centro sabem onde me encontrar 😊!

Claro que o trabalho exigido da nossa parte enquanto formadores duplica, ou triplica, conforme as turmas, mas isso é necessariamente mau?! Não. A exigência faz-nos crescer a todos.

Outra situação de que me apercebi ao fim de uma ou duas semanas: a maioria dos formandos, sobretudo os jovens, que tinham comportamentos incorretos e que colocavam em causa o normal funcionamento das sessões, deixam de ter esse impacto negativo na formação permitindo aos mais comprometidos aprender sem interrupção. Mais do que isso, esses mesmos formandos de comportamento mais “complicado” acabam por se envolver mais e melhor com a formação por esta ser agora tendencialmente mais prática, com mais exercícios e tarefas. Para além disto, um factor que me parece determinante para o que mencionei é o facto destes formandos estarem isolados. Ou seja, já não tem um “parceiro de crime” para incentivar os seus comportamentos. A verdade é que, na parte teórica das matérias, posso ter alguns formandos com maior dificuldade de perceber o que abordo por faltar ali um formador presente que veja “a coisa” ao lado dele, mas depois olho para as plataformas Moodle das escolas e tenho mais tarefas entregues a tempo e, avaliando-as, elas estão mais correctas e mais completas.

A pontualidade e a assiduidade também melhoraram. Menos atrasos a entrar nas sessões e menos faltas. Os factores são óbvios: não há transportes para apanhar, não há trânsito, não há o ter de acordar 2 ou 3 horas mais cedo.

Conclusão

Em suma, está a ser positivo para tudo e todos. No meu caso, é claro. É perfeito? Não. E antes, era?

Ainda estamos todos em processo de adaptação, de todos os lados, e quando estivermos adaptados provavelmente teremos de voltar aos centros. Os meus desejos pessoais para esse regresso são dois: primeiro que não seja apressado e que não se corram riscos desnecessários, pois equipa que ganha (e não está infectada) não deve mexer; em segundo que os centros saibam aprender com isto e integrar estas modalidades, que trazem gigantescas vantagens, no seu dia-a-dia pós pandemia e que não caiam no facilitismo de descartar uma coisa que descobriram por força das circunstâncias.

Gostava de finalizar este artigo dando os parabéns a todos os que se envolveram neste processo de adaptação pelo esforço que fizeram. Formadores, centros e formandos. E deixar o desejo de que, neste regresso às salas que será inevitável seja para amanhã, para a semana, daqui a um mês ou seis meses, que não se precipitem e que auscultem todos os intervenientes para que todos estejam confortáveis, se sintam seguros, protegidos e com condições para trabalhar. Pois jamais fará sentido abandonar uma formação à distância que está a ter resultados positivos em troca de uma formação presencial que terá que ser feita em condições muito específicas, em salas adaptadas e que deixa dúvidas quanto à sua eficácia (falo em específico na minha área de formação).

Nota final: este testemunho (opinião) refere-se à minha opinião pessoal e experiência em contexto de formação profissional. No que respeita ao que vai acontecendo na tele escola e no ensino dito “normal” estou por fora desse processo e desconheço os resultados que está a ter.

Marcações: trabalho, formação, diário de bordo

Comentários

Construído com HTML5, CSS3 e todas essas cenas - Copyright © 2018 Sérgio Martins

Download Freewww.bigtheme.net/joomla Joomla Templates Responsive