Diário de Bordo I

Diário de Bordo - I

Nos últimos dias enviei mais emails e terei feito mais telefonemas do que a soma de todos os outros nos últimos meses. É provavelmente a parte mais frustrante de todo este processo em que tenho estado envolvido desde Julho do ano passado: divulgar os meus documentários. Esta primeira página do diário de bordo é uma página que mistura de alegria e dor. Dor profunda.

Nunca nesta vida tentei tamanha empreitada: um documentário e uma web série documental a serem finalizadas na mesma altura. Felizmente tenho tido a ajuda do Bruno e do Carlos, mas mesmo assim, as coisas nunca correm como se espera e acabamos por esbarrar em coisas de que nem nos lembramos.

O trailer do Tardo está finalizado e os 3 primeiros episódios do [Sobre]Viver por Conta Própria também. Poder-se-ia então pensar que a pior parte do trabalho já passou. Mas não.

Quem é que algum dia vai ver um documentário produzido exclusivamente para a web? Das duas uma, ou temos milhares de subscritores no YouTube e/ou Vimeo (o que claramente não é o caso) ou divulgamos o projeto. Então dei início ao meu processo de divulgação da forma mais óbvia possível: redes sociais. Share a toda a força e as respostas em likes surgiram em quantidades medianamente satisfatórias.

Até aqui tudo porreiro. Se formos positivos e acreditarmos que quem clicou no like se dignou a ver o trailer e até gostou mesmo… Mas isso nem sempre acontece. Eu quero mais. Quero sempre mais. Saem então perto de duas dezenas de emails para órgãos de comunicação social entre regionais e nacionais. E é aqui que a porca torce um bocadito o rabo. 24 horas depois tive uma resposta e zero confirmações de que algum deles venha a mencionar o projeto.

Decidi ir mais longe. Na realidade só precisamos que a pessoa certa diga a coisa certa. Pensei em quem são os meus ídolos e quem são as pessoas com quem aprendo e, dos vários nomes que me vieram à cabeça, um destacou-se por ser um homem das redes sociais e achei que podia ter algum feedback para me dar: Rui Unas. Como actor ou como apresentador, o Rui Unas é um individuo que admiro e senti que era fixe partilhar o [Sobre]Viver por Conta Própria com ele. Quem sabe se ele até nem poderia partilhar o projecto? Sei lá! Mandei 20 emails. Zero respostas. Estava por tudo. E assim fiz. Contactei-o pelo facebook e o Rui respondeu. Quis ver mais do que apenas o trailer. Eu enviei os dois episódios já finalizados e o feedback que obtive deixa-me satisfeito de duas formas: por um lado foram-me apontados aspectos positivos, nomeadamente na parte em que tenho formação, a parte mais técnica da coisa; por outro lado, é bom ver que ainda há por onde melhorar, nomeadamente na parte da dinâmica das entrevistas, em que eu já sabia que seria o meu ponto fraco.

Mais do que dar-me algum moral e de me apontar aspectos a melhorar, o feedback do Rui provou-me que não tive deslumbramentos e que sei bem o que vale o [Sobre]Viver por Conta Própria. Sei que o programa/série não é bem a “cena” do Unas e que ele não o vai partilhar, mas o feedback de alguém com a experiência dele é muito valiosa.

Mas, em termos práticos de divulgação do projecto, o que é que eu retirei dali? Nada. Continuei (e continuo à hora da publicação deste post) com interesse zero dos media na divulgação do [Sobre]Viver por Conta Própria. E ainda assim, cá estamos os 3, a trabalhar o dia todo nisto. J

E depois vem o Tardo (não literalmente, por enquanto).

Faz um ano no dia 11 de Julho que se iniciou a produção desde documentário. Foi um mergulho de cabeça, como em tudo o resto na vida.

Ontem comecei a tentar perceber como vou fazer para colocar o Documentário a “rolar”. Licenças, taxas, registos… €€€€€€. Tudo se paga neste país. Consegui fazer o documentário do meu bolso, kms de estrada feitos com o meu combustível, investimento em material ou material emprestado sem me pedirem nada em troca, reuni uma equipa cheia de talento que trabalhou de graça… Mas mais isto eu não vou conseguir suportar. Solução? Ligar para produtoras e mandar emails. Mais emails. E assim foi, metade das produtoras está falida a outra metade não se digna a responder e dá ideia que nenhuma se interessa por documentários… Crowdfunding? Talvez… O caminho é difícil, mas até um pontapé nas costas te empurra para a frente! J

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