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Redescobrir Joyland: a perfeita simplicidade de Stephen King

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Nos últimos tempos tenho passado muito mais horas ao volante do que habitual. Para tornar as viagens menos repetitivas, comecei a ouvir audiolivros de livros que já li no passado. Uma forma de revisitar lugares e personagens de quem sentia saudades.

Comecei com The Outsider (O Intruso), de Stephen King — um livro que já tinha lido e que agora, em versão áudio, me ajudou a compreender melhor a personagem Holly Gibney. Como estou a ler a chamada trilogia Bill Hodges, fez-me sentido revisitar a história e perceber melhor as suas ligações. Mas foi com Joyland que a coisa mudou de figura.

Já conhecia o livro, mas ouvir Joyland fez-me entendê-lo de outra forma. É um romance pequeno, quase modesto dentro da obra de King, mas na sua simplicidade está tudo: romance, mistério, crime e um toque sobrenatural. É uma história sobre o que significa crescer, amar e perder — e sobre como tudo isso nos molda, mesmo quando o mundo à volta parece continuar igual.

Devin Jones, o protagonista, é um jovem de coração partido que vai trabalhar num parque de diversões durante o verão. O cenário é quase banal, mas King transforma-o num palco cheio de vida, dor e ternura. As relações que Devin cria — com a sua namorada, com a amiga Erin, e mais tarde com Annie Ross — são escritas com uma honestidade que raramente se encontra na ficção contemporânea. São sentimentos confusos, reais, imperfeitos. E talvez por isso tão humanos.

O que mais me impressionou, ao ouvir o livro desta vez, foi perceber o quanto Joyland fala sobre as pequenas dores que nos fazem crescer. King, conhecido pelos monstros e horrores, aqui mostra que o verdadeiro terror pode estar na solidão, no amor não correspondido, no medo de ficar preso ao passado. E faz isso sem precisar de grandes artifícios — só com personagens bem construídas e uma história contada com o coração.

Terminei o audiolivro com a sensação de que tinha reencontrado um velho amigo, em Devin Jones. Um livro que já conhecia, mas que afinal ainda tinha tanto para me dizer. Talvez porque, tal como Devin, também eu já vivi um pouco mais desde a primeira leitura.

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