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A França está a abandonar a tecnologia americana: o que significa isso para a Europa?

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Nos últimos meses, a França tem dado passos ousados para reduzir a dependência de tecnologias americanas, como o Zoom e o X (antigo Twitter). Mas porquê? E será que o resto da Europa vai seguir o exemplo? Neste artigo, explico o que está por trás desta estratégia e como ela pode ter impacto no setor de IT e Multimédia na Europa.

Soberania digital europeia

A França, e a Europa em geral, querem reduzir a dependência de empresas tecnológicas estrangeiras, especialmente americanas e chinesas. Atualmente, mais de 80% das tecnologias digitais usadas na UE vêm de fora do bloco, o que cria riscos estratégicos. Por exemplo, gigantes como Amazon, Microsoft e Google dominam cerca de 70% do mercado europeu de cloud computing, enquanto a maior empresa europeia do setor detém apenas 2% do mercado.

Controlo sobre dados e segurança

A dependência de plataformas estrangeiras significa que a Europa não tem controlo total sobre os seus dados e infraestruturas digitais. Além disso, alterações unilaterais nos termos de serviço ou algoritmos (como aconteceu com o Facebook) podem afetar o acesso ao mercado e a privacidade dos utilizadores.

Investimento em alternativas europeias

A França já começou a substituir o Zoom pelo Vizio, uma plataforma francesa de videoconferência, e bloqueou a venda de infraestruturas críticas a empresas privadas para proteger a autonomia digital europeia. O objetivo é criar um ecossistema tecnológico europeu mais robusto, especialmente em áreas como IA, computação quântica e cibersegurança.

O que está a acontecer noutros países europeus?

A França não está sozinha. A Áustria já abandonou o Microsoft Office em algumas áreas, e a Alemanha está a migrar contas de email governamentais para soluções open-source. Em 2025, a Comissão Europeia aprovou uma resolução para incentivar os Estados-membros a priorizar tecnologias europeias, especialmente em áreas sensíveis.

E o futuro? A Europa vai conseguir reduzir a dependência?

A transição não será fácil. O domínio global das empresas americanas torna impossível um “corte” total. No entanto, a Europa está a investir em fundos soberanos de tecnologia e a apoiar projetos open-source para criar alternativas viáveis. O objetivo não é isolar-se, mas sim reduzir riscos e garantir que a Europa tenha controlo sobre as suas infraestruturas digitais críticas.

Que alternativas existem?

Produtividade e Escritório

Alternativa: OnlyOffice (Letónia) ou LibreOffice (Alemanha, projeto open-source)

  • Para quê? Substituto do Microsoft Office.
  • Vantagens: Compatível com formatos Office, integração com cloud europeia, open-source.
  • Ideal para: Documentos, folhas de cálculo, apresentações.
  • Site: onlyoffice.com, libreoffice.org

Alternativa: Nextcloud (Alemanha)

  • Para quê? Substituto do Google Drive/Dropbox.
  • Vantagens: Cloud privada, open-source, hospedagem em servidores europeus.
  • Ideal para: Armazenamento e colaboração em ficheiros.
  • Site: nextcloud.com

Videoconferência e Comunicação

Alternativa: Jitsi (Bulgária, projeto open-source)

  • Para quê? Videoconferência open-source.
  • Vantagens: Sem necessidade de conta, encriptação de ponta a ponta.
  • Ideal para: Pequenas equipas ou uso pessoal.
  • Site: jitsi.org

Streaming e Multimédia

Alternativa: Qobuz (França) ou Tidal (Noruega)

  • Para quê? Substituto do Spotify/Apple Music.
  • Vantagens: Qualidade de som superior, catálogo focado em artistas europeus.
  • Ideal para: Amantes de música.
  • Site: qobuz.com, tidal.com

Alternativa: Qobuz (França) ou Tidal (Noruega)

  • Para quê? Substituto do Spotify/Apple Music.
  • Vantagens: Qualidade de som superior, catálogo focado em artistas europeus.
  • Ideal para: Amantes de música.
  • Site: qobuz.com, tidal.com

IA e Ferramentas de Desenvolvimento

Alternativa: Hugging Face (França)

  • Para quê? Plataforma de IA open-source.
  • Vantagens: Acesso a modelos de linguagem e ferramentas de machine learning.
  • Ideal para: Desenvolvedores e investigadores.
  • Site: huggingface.co

Alternativa: Sovity (Alemanha)

  • Para quê? Ferramentas de IA para privacidade e conformidade com o GDPR.
  • Vantagens: Foco em proteção de dados e conformidade legal.
  • Ideal para: Empresas que precisam de IA segura.
  • Site: sovity.de

E-mail e Calendário

Alternativa: ProtonMail (Suíça) e Proton Calendar

  • Para quê? Substituto do Gmail/Outlook.
  • Vantagens: Encriptação de ponta a ponta, servidores na Suíça (protegidos por leis de privacidade rigorosas).
  • Ideal para: Comunicação segura.
  • Site: proton.me

Redes Sociais

Alternativa: Mastodon (Alemanha, projeto open-source)

  • Para quê? Substituto do Twitter/Facebook.
  • Vantagens: Descentralizado, sem algoritmos de publicidade invasivos.
  • Ideal para: Utilizadores que procuram redes sociais éticas.
  • Site: joinmastodon.org

Conclusão

A estratégia francesa reflete uma tendência mais ampla na Europa: a busca por autonomia digital. Para profissionais de IT e Multimédia, isto significa novas oportunidades em tecnologias europeias, mas também desafios na adaptação a plataformas menos dominantes. O futuro dirá se a Europa conseguirá equilibrar inovação, segurança e soberania digital.

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