Quando comecei a trabalhar com o CDC Montalegre através do Canal Balneário, sabia perfeitamente que não estava a entrar num clube qualquer.
Quem conhece Trás-os-Montes entende isto. Quem não conhece, dificilmente perceberá totalmente.
Já desde que pisei Vila Real pela primeira vez, em novembro de 2007, que percebi uma coisa: eu posso não ter nascido transmontano, mas serei sempre transmontano. A minha alma é transmontana.
E talvez por isso este percurso no CDC Montalegre nunca tenha sido apenas trabalho.
Foi distância. Foram quilómetros. Foram horas para conseguir acompanhar um clube à altura daquilo que ele merece. Foi também trabalhar muitas vezes com menos material base do que gostaria, consequência natural dessa mesma distância. Mas também foi perceber, mais uma vez, aquilo que sempre encontrei nas gentes transmontanas: pessoas habituadas à dureza da vida, do clima e do terreno. Gente trabalhadora. Gente que sabe fazer muito com pouco. Gente que dá tudo pela sua terra.
E o CDC Montalegre é exatamente isso.
Há clubes onde se trabalha. E há clubes que se vivem.
O Montalegre vive-se.
Vive-se na forma como a vila respira futebol. Vive-se na paixão das pessoas. Vive-se no orgulho com que defendem o símbolo. Vive-se na entrega diária de quem muitas vezes faz mais do que aquilo que aparece.
Por isso, quando o clube confirmou o título de campeão da Divisão de Honra da AF Vila Real e o regresso aos campeonatos nacionais, o sentimento foi sobretudo o de dever cumprido.
A vitória frente à equipa da Régua, na jornada 29, foi quando percebi que “a coisa” ia acontecer. Não apenas pelo resultado, mas por todo o trabalho invisível que mesmo a centenas de km de distância conseguíamos sentir. Toda a dedicação. Toda a exigência.

O futebol distrital continua a sobreviver muito graças a pessoas que amam verdadeiramente os clubes e nesse aspeto há nomes que merecem ser mencionados.
O Tiago Oliveira, pela confiança depositada em nós desde o primeiro dia e pela visão que teve para a comunicação e para o clube em geral.
E a Susana, incansável, absolutamente apaixonada pelo CDC Montalegre. Daquelas pessoas raras que vivem o clube de forma genuína e total. Quem trabalha perto dela percebe rapidamente porque é que este clube continua vivo e ambicioso.
Esta época termina com o CDC Montalegre de volta ao lugar onde merece estar: nos campeonatos nacionais, mas honestamente, sinto que isto não é um fim.
Por isso digo-o sem rodeios: teria todo o prazer — e até a ambição — de continuar ligado ao CDC Montalegre durante muitos anos, ajudando a devolver o clube ao patamar que merece pela sua história, pela sua identidade e pelas suas pessoas.

Alguns projetos
Alguns dos projetos que fizemos até à data com o CDC Montalegre envolveram dois pequenos documentários.
O primeiro, integrado na nossa rubrica sobre o futebol no interior, resultou num documentário feito em Montalegre, sobre o clube e a questão do isolamento geográfico.
O outro, prendeu-se com a deslocação do clube ao Dragão para jogar a Taça de Portugal, um momento inesquecível para todos.
Depois temos a produção de conteúdos em social media nas épocas 24/25 e 25/26









